Como calcular e dimensionar vagas de garagem

 

Como calcular e dimensionar vagas de garagem

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Muitos profissionais na hora de projetarem se deparam com a legislação que especifica a quantidade de vagas de garagem em um empreendimento.

O cálculo da quantidade de vagas é relativamente simples e neste post vamos mostrar alguns exemplos, sempre lembrando que cada cidade possui uma legislação e, portanto, os números citados aqui podem não ser os mesmos válidos para aprovação de projetos na sua cidade. Geralmente estes números fazem parte de algum anexo do Plano Diretor do seu município e é sempre importante estar inteirado destas normas para minimizar os problemas na hora da aprovação.


Cálculos de vagas residenciais


Como primeiro exemplo, vou utilizar um código de obras de uma cidade de Santa Catarina, que não vem ao caso, pois queremos mesmo os números e estamos escrevendo pro Brasil inteiro. Se verificarmos o quadro abaixo (ANEXO V), veremos que para a Zona Residencial (R) temos dois usos: R1 – Residência Unifamiliar e R2 – que compreende os edifícios de apartamento de um quarto ou mais.

Para o uso R1 verificamos que está descrito "facultado". Isso significa que podemos escolher se vamos colocar vaga de garagem na casa ou não! Não há obrigatoriedade, portanto o projetista está livre para escolher quantas vagas colocará no projeto.

Já no uso R2 temos uma vaga para cada duas unidades residenciais para edifícios de apartamentos de um único quarto (R2.1) e isso significa que metade dos apartamentos não terão garagem. Neste caso existe o que chamados de "vagas rotativas", ou seja, quem chegar primeiro estaciona e não existem vagas marcadas. Bom? Para o empreendedor sim, pois ocupa menos área do terreno com estacionamento, mas para o morador não! Imagine você chegando da faculdade as 11 da noite e tendo que deixar o carro na rua. Isso acontece muito em edifícios destinados à locação.

Já para edifícios com mais de um quarto a regra é simples: uma vaga para cada apartamento. Se o projeto contemplar duas vagas para uma unidade habitacional é um bônus.

 


Cálculo de vagas comerciais


Para o cálculo de vagas comerciais você terá que ver exatamente o que diz a legislação da sua cidade. Algumas cidades são mais permissivas e outras menos. Alguns lotes podem ter o total rebaixo da guia na frente do seu estabelecimento e outros apenas uma entrada. Isso ocorre porque em alguns locais é permitido que se estacione no recuo frontal do lote e em outros só é permitido o estacionamento se ele deixar os 5m (mais ou menos, depende da cidade) de recuo frontal livres.

Considerando todas essas variantes vamos ver na legislação de exemplo o que podemos fazer com as vagas comerciais.

 

Para um comércio pequeno, local, que atende a um bairro, por exemplo, temos que ter uma vaga a cada 100m² ou fração. Na prática isso significa que se eu tiver um comércio de 175m² eu preciso de duas vagas de garagem: uma para os primeiros 100m² e outra para a fração, ou seja, não chega a dar mais 100m², mas é necessário ter mais uma vaga de garagem no estabelecimento. Se este comércio tivesse até 200m² de área construída, teria 2 vagas de garagem. Qualquer valor que gire entre 200 e 300m² exige que se tenha mais uma terceira vaga e assim por diante com as demais áreas. Estes mesmos valores, neste plano diretor, servem também para os serviços de pequeno porte, como escritórios, lembrando que, há ainda a obrigatoriedade que uma das vagas seja de deficientes e idosos.

Quando trabalhamos com serviços de saúde como consultórios, a legislação pede que tenhamos uma vaga para cada 50m² de área construída ou fração. Sendo assim um consultório com os mesmos 175m² do exemplo anterior, precisaria de 4 vagas de garagem. Lembrando ainda que no Plano Diretor que estamos analisando, há uma observação que diz que este estacionamento está sujeito à aprovação do órgão específico de planejamento da prefeitura. Isso quer dizer o que? Que em estabelecimentos de saúde a Vigilância Sanitária está mais em cima e portanto exige as vagas mínimas para deficientes e idosos, que possuem uma dimensão maior. Cada cidade pode exigir uma quantidade mínima destas vagas, dependendo da área do estabelecimento e do lote.

Dimensionamento das vagas


Para fecharmos este post, depois de descobrirmos quantas vagas precisamos para cada zoneamento e uso, precisamos saber dimensioná-las. Via de regra, uma vaga de garagem tem uma metragem média de 2,50m de largura por 5m de profundidade. Este é um tamanho médio para uma boa vaga de garagem, porém é importante consultar a legislação específica da sua cidade e ver qual a medida mínima necessária para projetar vagas em diversas situações. Em São Paulo, por exemplo, a lei municipal especifica vagas de tamanho pequeno (2,00x4,20), médio (2,10x4,70) e grande (2,50x5,50). Já na cidade que estamos estudando neste post, a vaga mínima é de 2,40x5,00m, e não existe variação.

No entanto, para vagas de deficientes precisamos deixar ainda 1,20 de largura como espaço adicional de circulação, que pode ser compartilhado entre duas vagas se o estacionamento for paralelo ou perpendicular ao meio fio. Em casos de estacionamentos oblíquos não é recomendável o compartilhamento da área de circulação.

A NBR 9050 é a norma que regula a acessibilidade universal, inclusive das vagas de garagem, e traz consigo mais algumas recomendações. As vagas de garagem segundo à norma devem ainda:

• Ter sinalização horizontal conforme a figura abaixo
• Ter sinalização vertical para vagas em via pública
• Quando afastadas da faixa de travessia de pedestres, conter espaço adicional para circulação de cadeira de rodas e estar associadas à rampa de acesso à calçada;
• Estar vinculadas a rota acessível que as interligue aos pólos de atração;
• Estar localizadas de forma a evitar a circulação entre veículos.


Há ainda a necessidade de deixarmos vagas específicas para idosos, e existem leis que garantem uma porcentagem mínima das vagas de um estacionamento tanto para idosos quanto para pessoas com deficiência.

A Resolução 303 do Contran estabelece, como lei federal que devemos deixar 5% das vagas de estacionamento para pessoas idosas e a Resolução 304 estabelece 2% de vagas para deficientes. Mais uma vez este é um número base, que regula a quantidade mínima de vagas, porém a legislação da sua cidade pode ser ainda mais restritiva. Em São Paulo, servindo novamente como exemplo, temos 3% de vagas destinadas a pessoas com deficiência. Lembrando que a lei municipal nunca pode ser menos restritiva do que a lei federal.

Além da importância de se saber como dimensionar o estacionamento de uma edificação conforme seu uso, é muito importante sempre respeitarmos a quantidade de vagas necessárias para os portadores de deficiência e idosos, e mais importante ainda é sabermos que esta vaga não deve nunca ser utilizada por quem não precisa. Já existem campanhas dizendo "esta vaga não é sua nem por um minuto". E realmente, um cadeirante não pode ficar esperando por uma vaga com o dimensionamento adequado para que ele possa montar a cadeira de rodas, fazer a transição, acomodar-se e fechar o carro. Assim como um idoso, com dificuldade de locomoção, não precisa parar o carro longe da entrada porque as vagas próximas estão ocupadas.

As leis normas servem para resguardar direitos e também facilitar acessos. Respeitar as vagas especiais é um exercício de cidadania!

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Por Ana Carolina Moura Cardoso – Arquiteta e Urbanista, conteúdo exclusivo da EW7.

Comentários  

 
+9 #2 Adriane 01/06/2015 22:54
Com uma linguagem clara e objetiva agrega muito ao nosso aprendizado. Nota mil a vocês prezados.
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+5 #1 Tasso Rosado 31/03/2015 18:41
Excelente. Veio preencher uma Lacuna em nossos estudos e Projetos. Parabéns
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