Como projetar corretamente uma rampa

Muito tem se falado sobre acessibilidade e inclusão social, porém a adaptação das edificações às normas de acessibilidade ainda não tem sido feita, em muitos casos, de forma correta. A norma que rege as condições de acessibilidade é a NBR 9050. Nela encontramos as orientações para o acesso universal a cadeirantes e deficientes visuais, físicos ou auditivos, além de pessoas com mobilidade reduzida.

 

Entendendo o PNE

 

Para projetarmos corretamente ambientes acessíveis, primeiramente precisamos entender as condições físicas do Portador de Necessidades Especiais (PNE). Essas condições variam de acordo com a limitação de cada deficiência, mas ao participar de uma caminhada de acessibilidade, pude perceber que nossa forma de interagir com o espaço público e privado é muito diferente da deles, e é necessário nos colocarmos na sua condição. O cadeirante, por exemplo, pode ter força física no tronco ou não, pode ter mobilidade nos braços ou não. Cadeira motorizada não quer dizer que o cadeirante tenha uma condição financeira melhor, mas sim o que ocorre muitas vezes, é que ele não tem força nos braços para conduzir a cadeira de rodas. É por isso que a NBR 9050 coloca uma condição ideal de inclinação de rampas de acesso, condição essa que vemos muitas vezes não serem obedecidas, dificultando ou até impossibilitando o acesso sem auxílio. Essa condição serve tanto para rampas.

Caminhada da Acessibilidade, em Joinville/SC

 

Condições ideais das rampas

 

As rampas são soluções excelentes e definitivas, ao pensarmos em edificações acessíveistanto por cadeirantes quanto por pessoas com mobilidade reduzida. Mobilidade reduzida, significa, além de cadeirantes, pessoas com fraturas utilizando muletas, idosos, gestantes e até mães com carrinhos de bebê. O acesso, garantido por lei, deveria ser Universal, ou seja, além destes, os deficientes visuais e auditivos também precisam ser contemplados.

Para projetarmos corretamente uma rampa, precisamos seguir a seguinte fórmula:

Onde:

i é a Inclinação, em porcentagem

h é a altura do desnível

c é o Comprimento da projeção horizontal.

 

O valor da inclinação da rampa é nada mais, nada menos que a relação entre a altura e o comprimento da mesma em porcentagem.

Por exemplo: uma rampa com 8% de inclinação é aquela em que o valor da altura corresponde a 8% do valor do comprimento. Então, quando se tem um desnível de 16cm vencido com uma rampa de 2m de comprimento, tem-se uma rampa com 8%, já que 0,16 corresponde a 8% de 2.

 


Dessa forma, se pararmos pra pensar, veremos que 0% é o piso plano, e 100% é uma rampa com inclinação onde a altura é igual ao comprimento (por exemplo, 1m de comprimento com 1m de altura). Obviamente uma rampa de inclinação 100% é inviável para a subida de um cadeirante, já que ela equivale a uma inclinação de 45º.

A NBR 9050 traz uma tabela de dimensionamento de rampas, com a inclinação admissível em cada segmento. Para inclinação entre 6,25% e 8,33% devem ser previstas áreas de descanso nos patamares, a cada 50 m de percurso. Veja abaixo como deve ser a inclinação das rampas de acordo com a norma:

 

No caso de reformas, onde não haja de forma alguma uma solução que atenda integralmente esta tabela de inclinações, a norma permite que se construam rampas com inclinações superiores a 8,33% (1:12) até 12,5% (1:8), conforme tabela abaixo:

 

Como se pode notar, quanto maior for a altura que se quer vencer, mais suave tem de ser a rampa para que portadores de necessidades especiais possam acessá-la. Dessa forma, de nada adianta adicionarmos uma rampa logo ao lado de uma escada, como vemos nas figuras a seguir, pois elas não serão vencidas nem por cadeirantes para olímpicos.

 

Um exemplo ao se projetar uma rampa para uma escada existente, de forma correta é o que corresponde ao modelo da figura a seguir. Observe que para substituir quatro degraus (1,75 m²) feitos com concreto e dotados de corrimão tubular, é preciso erguer 15 m² de rampas e patamares.

 

As rampas ainda precisam ter sinalização com piso tátil para deficientes visuais, corrimão duplo e piso antiderrapante. Todos essas itens também são regidos pela NBR 9050. Apesar de ter um custo de construção, que muitas vezes afugenta principalmente os comerciantes, as rampas de acesso precisam ser cada vez mais incluídas nos projetos arquitetônicos, e a sociedade precisa ter a consciência de que a cidadania é para todos. Um espaço acessível, além de socialmente correto, atrai um público que só quer uma coisa: conseguir se locomover com a maior autonomia possível. Pensemos nossas cidades para todos!

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Por Ana Carolina Moura Cardoso – Arquiteta e Urbanista

 

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